Já acreditara alguma vez no amor como enriquecimento, como exaltação das potências intercessoras. Certo dia, deu-se conta de que seus amores eram impuros porque pressupunham essa esperança, enquanto o verdadeiro amante amava sem esperar o que quer que fosse fora do amor, aceitando cegamente que o dia se tornasse mais azul e a noite mais doce e o bonde menos incômodo.
(Cortázar – O Jogo da Amarelinha)
Amor à primeira vista não seria nada mais que uma atração que ocasionalmente deu certo? Instantes de atração mútua ocorrem com uma frequência relativamente alta. Daí dessa essa atração desenrolar algo que costuma ser chamado de amor… nisso reside a improbabilidade de que sempre falo. Uma possibilidade com muitos pressupostos. E quando essa possibilidade se concretiza, confere-se toda a culpa àquele instante inicial de atração. Com isso, a gente traz um pouco de lirismo para o nosso cotidiano. Ah… foi coisa de amor à primeira vista, sabe? Sei… e como sei!
Surgem, assim… quando? por quê? como? Não se sabe, apenas surgem! Seriam autopoiéticos? Sei lá! Só sei que são, e é o que me importa! Sem explicações exteriores ou internas. Sem razão… Mas hein, como tem razão esse tal de amor!
Mas se a ciência provar o contrário, e se o calendário nos contrariar
Mas se o destino insistir em nos separar
(…)
Se dane o evangelho e todos os orixás
Serás o meu amor, serás, amor, a minha paz(Chico Buarque – Dueto)